A imbecilidade contemporânea: comédia e tragédia
A imbecilidade, essa característica humana indesejada e tão frequentemente subestimada, sempre acompanhou a nossa história. Está presente nos clássicos da filosofia, nos episódios burlescos da antiguidade, nos relatos obscuros das cortes medievais e nos regimes totalitários mais recentes. Ao longo dos séculos, serviu tanto de ingrato motor para farsas e comédias quanto de ignição para tragédias coletivas. Hoje, porém, a sua manifestação parece ter encontrado um ambiente fértil para crescer e difundir-se de forma quase imediata, impulsionada por uma globalização que transporta ideias (e tolices) à velocidade de um clique.
Se outrora a imbecilidade tinha espaços mais circunscritos, ainda que igualmente nocivos (cortes aristocráticas, elites dominantes, classes fechadas), hoje ela não só se dissemina de modo instantâneo, mas também se apresenta como uma alternativa política, sustentada por discursos inflamados que apelam ao medo e à ignorância do eleitorado. A legitimação da estupidez no seio da sociedade e a sua aceitação como “normal” ou “inevitável” são sinais claros de um problema que não apenas se agrava, mas que se torna perigoso. Quando a estupidez contamina quem detém o poder (e muitas vezes é usada como instrumento de manipulação), o risco do riso se converter em choro é grande.
Não precisamos ir longe para encontrar exemplos recentes de como esse fenómeno ganha força. Veja-se o crescimento........
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