Uma Torre em chamas: as Nações Unidas em perigo de extinção?
A construção do imponente e bonito edifício da ONU em Nova Iorque nasceu da necessidade experimentada no pós-guerra de 1939-1945 de se encontrar uma sede para se vir a instalar um feliz sucedâneo à Sociedade das Nações( 1920-1946 ) cuja inoperância tinha sido por demais evidente nos derradeiros anos da sua existência.
Hoje, ao constatarmos a generalizada descredibilização que pesa sobre esta única organização com perfil planetário, sorrimos dessa crença na capacidade das Nações Unidas em vir a assegurar um futuro de paz e harmonia: essa atitude de agora peca no entanto pela ligeireza da sua análise que olha para a situação pós-1945 a partir de uma visão ancorada neste estranho século XXI.
Houve obviamente uma boa dose de sonho – esse que António Gedeão tão bem entendeu, ao dizer-nos que é ele que comanda a vida – na conceção desse novo organismo, mas nunca tal sentimento foi tido como um qualquer desajeitado lirismo sem qualquer exequibilidade prática. Toda a gente, da arraia miúda às elites, acreditava sem reservas na possibilidade de que as duas tremendas tragédias do século XX tivessem sido em definitivo as últimas a massacrar este nosso continente (e a afetar o resto do mundo). E para a consecução de um tal desiderato, seria indispensável a criação, com base nas lições aprendidas das deficiências detetadas na genebrina Sociedade das Nações, de um qualquer mecanismo de âmbito universal.
Esta instituição – que, diga-se de passagem, compreende um considerável número de organismos desconhecidos do grande público que constituem o grupo que na gíria onusiana é familiarmente designado por ´família das Nações Unidas`- desempenhou ao longo de 8 décadas o papel de insubstituível facilitador e suporte da estabilidade e........
