O elogio do Homem-caranguejo em tempos IAticos
«A maioria dos caranguejos anda de lado, devido à estrutura articulada das suas patas, que se dobram para os lados, tornando esta forma de locomoção mais eficiente. Isto dito, e embora prefiram andar de lado, também conseguem mover-se para a frente ou para trás, mas de forma mais lenta e desajeitada».
Eu não conhecia nada dos caranguejos- para além do gozo imenso que sempre me oferece a sua compra, na charcutaria ao pé de minha casa, para posterior consumo-, pelo que fiquei grato por esta informação, em particular por causa daquela sua preferida lateralidade na locomoção: é verdade que também são capazes de andar para a frente e para trás, mas com maior dificuldade e menor eficiência nesse seu caminhar.
Essa sua especificidade suscitou-me de imediato uma breve reflexão centrada no facto de nós, seres humanos, possuirmos, como esses artrópedes, a faculdade de andar para os lados, para a frente ou para trás, mas declinando-as de maneira diferente: connosco, a lateralização e o recuo constituem tão só uma forçada manobra de recurso em face de um qualquer obstáculo que nos impeça de prosseguirmos em diante. Ou seja, no nosso caso, o costume é priorizarmos the way ahead of us- expressão aliás convertida em agradável refrão musical- , porque urge olhar para a frente se queremos sair da monotonia quotidiana: é assim agindo que, para nós, se consegue uma maior eficiência, apenas admitindo as outras duas alternativas em situação extrema e inevitável.
Esta minha afirmação exclamativa seria evidentemente pelo menos ousada ou estranha, se eu a tivesse feito no século passado. Não que não se tivessem então vivido momentos verdadeiramente ´fora da caixa`- um exemplo paradigmático foi o pisar do solo lunar, em 1969, pelo astronauta Neil Armstrong-, mas mesmo esse........
