Europa, blocalização e economia política da segurança
Estamos em janeiro de 2026 e o que nos é dado observar no âmbito das relações internacionais é, deveras, preocupante. Estamos perante um novo paradigma das relações internacionais que cruza três variáveis críticas da maior relevância, a saber, economia, tecnologia e segurança, numa convergência de geometria variável que marcará todo o século XXI. Na perspetiva da União Europeia qual é, então, o estado da arte no princípio de 2026?
Esta distinção entre sustentabilidade fraca e sustentabilidade forte é aqui muito relevante, porque é na conexão eficaz e eficiente das suas diferentes graduações e respetiva interoperabilidade que reside o segredo do sucesso de uma economia política da segurança económica e, logo, também, de uma economia dos bens comuns e dos bens públicos globais. Sabemos bem que em tempo de atrito geoestratégico e geopolítico há uma escassez adicional de recursos e, também, um acréscimo de instabilidade e insegurança, pelo que nenhuma organização consegue enfrentar isoladamente os desafios globais que se apresentam. Nenhuma empresa descarboniza sozinha a sua cadeia de valor e na globalização das trocas não podemos ser ingénuos ou condescendentes ao ponto de beneficiar o infrator. Acresce que, na ordem multipolar em formação, a noção de sustentabilidade não é entendida de forma homogénea ou convergente pelos principais protagonistas. A regulação das cadeias de valor globais no sentido da sua sustentabilidade torna-se, assim, uma tarefa quase impossível, embora todos saibamos que a fragmentação custa caro, enquanto a coordenação e a regulação criam valor acrescentado.
A sustentabilidade forte é, portanto, uma infraestrutura crítica da economia e da sua segurança. Estamos a falar de uma política industrial europeia e nacional de natureza quase federal que contempla avultados investimentos públicos e privado transversais como as hiperligações energéticas, as tecnologias multiusos como a eletrónica, a........
