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Algoritmos, instituições e governação democrática (III)

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19.03.2026

O nosso tempo é, simultaneamente, um tempo de globalização (a aldeia global) e individualização (a customização da sociedade de mercado). A política doméstica perdeu fronteira e soberania territorial e foi capturada pelo capitalismo neoliberal e tecno-digital enquanto os mercados, as redes e plataformas tomam conta das instituições de intermediação e mediação – políticas, sociais, culturais e cívicas – que eram, até agora, as guardiãs das memórias do nosso passado e das promessas do nosso futuro, assim como o espaço público do agir comunicacional democrático. É, justamente, o espaço público do agir comunicacional democrático que o populismo nacionalista tenta capturar fazendo apelo direto à soberania do povo e do Estado nacional, usando e abusando de uma ideologia antissistema suportada em violência simbólica e comunicacional que se obtém pelo desvio da atenção para situações recorrentes, muitas delas falsas, de urgência e emergência. Por isso, o risco moral elevado dos processos de desinstitucionalização e desintermediação, e tanto mais quanto as instituições da democracia representativa, associativa e cívica são, neste contexto, lugares de resistência, pensamento crítico e ação coletiva democrática onde se experimenta a interação que se pretende entre o dispositivo tecno-digital e a intencionalidade sociopolítica e sociocultural, bem como o real significado da interação entre comunidades virtuais e comunidades reais.

Estamos em plena sociedade algorítmica, cuja programação está, agora, também, alicerçada na inteligência artificial. Esta santa aliança adquire um poder estratégico absolutamente inusitado, um poder sistémico que, a qualquer momento, pode abusar da sua posição dominante. Ela acompanha todos os nossos movimentos, segue a nossa pegada digital, pois não gosta de ser surpreendida e está sempre a calibrar o nosso comportamento. Esta vigilância permanente operada por intermédio de dispositivos tecno-digitais, sensores e censores do nosso comportamento, é um verdadeiro panótico da sociedade algorítmica. Sabemos que as instituições organizam identidades e estabelecem comportamentos apropriados em diversas áreas. Nesta exata medida, estamos cada vez mais próximos de um institucionalismo algorítmico (Almeida, Filgueiras e Mendonça, 2023).

E perante tal determinismo como fica o nosso livre-arbítrio, a nossa liberdade de pensar e agir? Sabemos que as correntes institucionais mais........

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