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Portugal, “since 1143”

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03.10.2025

As t-shirts para turistas não oferecem dúvidas: Portugal existe since 1143. Nesse distante ano, em Zamora, Alfonso VII, rei de Castela e Leão que se intitulava “Imperador”, reuniu-se com Afonso Henriques e reconheceu-lhe o título de “Rei”. Conhecido como a “Conferência de Zamora”, este encontro organizado pelo legado do Papa, o cardeal Guido de Vico, é apontado por manuais de História como os inícios de Portugal.

Não deixa de ser curioso que uma nação se conceba como decorrente do reconhecimento por parte de outra. Uma rápida volta pelo mundo mostra muitos países que preferem ver nas origens do país uma deliberação do próprio povo e não a tolerância de uma potência estrangeira. Como sabemos, a 4 de Julho, os Estados Unidos da América celebram com estrondo a sua Declaração da Independência, antes da sua vitória militar, antes da sua Constituição e antes do reconhecimento pela Grã-Bretanha. O mesmo faz a Guiné-Bissau, que celebra a sua independência a 24 de Setembro de 1973 (um ano antes do seu reconhecimento por Portugal). A origem do Afeganistão está em 1747, quando em Kandahar uma assembleia multiétnica aclama Ahmed Durrani como o seu xá, sem se importar muito com os seus antigos dominadores Persas e Mogóis. O Brasil, claro, celebra a sua independência no 7 de Setembro de 1822, data do famoso Grito do Ipiranga, e não a 29 de Agosto de 1825 da assinatura do Tratado do Rio de Janeiro, em que Portugal finalmente reconheceu o facto consumado.

Os países mais antigos da Europa (Dinamarca, Escócia, França, Hungria e Inglaterra) têm, compreensivelmente, mais hesitações, já que nasceram numa era em que não se formalizam independências. Os historiadores destes países seguem um questionário mais interessante: quando é que Dinamarqueses, Escotos, Francos, Magiares ou Anglos se constituíram como uma comunidade política? Historiadores da........

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