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Resposta a João Pedro Marques

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19.04.2026

Fui fazer as contas: desde que começou a escrever no Observador, em 13 de Junho de 2018, João Pedro Marques (JPM) já escreveu 160 crónicas neste jornal. À excepção de duas ou três (uma sobre Israel, outra sobre a F-1), todas elas são dedicadas à escravatura, ao colonialismo ou ao wokismo.  Escrevendo há oito anos, todas as semanas, sobre o mesmo tema, é natural que de vez em quando tenha falta de assunto. E, quando não tem assunto, JPM inventa-o.

Esta semana fui eu o contemplado, em jeito de repto duelístico, com um “Desafio a António Araújo”.

O pretexto foi o obituário que escrevi no Público sobre Boubacar Ould Messaoud (1945-2026), filho de escravos e o principal rosto na luta contra escravatura na Mauritânia contemporânea.

O meu texto começa por assinalar a “singular coincidência” (sic) da morte de Boubacar ter ocorrido pouco antes de a ONU ter aprovado, por proposta do Gana, uma resolução que definiu o tráfico transatlântico de escravos o “crime mais grave contra a humanidade.”

Depois, mais adiante, afirmei que o Governo português se abstivera na votação da ONU, em linha com os restantes países europeus (incluindo a Hungria de Orbán, note-se), e que isso suscitou críticas quer no sentido de que deveríamos ter votado a favor (João Moreira da Silva) quer no sentido de que deveríamos ter votado contra (João Pedro Marques). Mais disse que os “extremos tocaram-se e convergiram numa mesma conclusão: abstenção é que não.” Caso João Pedro Marques não tenha percebido, eu explico-lhe: ao falar de “extremos”, não o estava a alinhar em qualquer quadrante ideológico, apenas a afirmar que, entre a posição intermédia da abstenção, a que ele chama “nim”, JPM se colocou num dos pólos da questão. Só isso, nada mais.

Logo a seguir, lamentei que a morte de Boubacar Ould Messaoud tenha passado despercebida à imprensa nacional, o que não deveria ter acontecido, pois, repito, Boubacar, fundador da SOS Esclavages, foi um corajoso combatente contra a escravatura na Mauritânia dos nossos dias, fazendo-o “em confronto aberto com os clérigos e as autoridades muçulmanas do país, que insistiam em encontrar nos textos legais islâmicos justificações para a escravatura dos mauritanos de pele mais escura.”

Dias depois de ter publicado esse texto, enviei uma SMS ao meu amigo Miguel Morgado, dizendo-lhe que fora inspirado por um texto seu, saído aqui no Observador. Nessa troca de mensagens – e o Miguel poderá confirmá-lo –, escrevi-lhe: “então um país que........

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