Os 300 de São Domingos
Quem hoje entra na Igreja de São Domingos, a poucos passos do Rossio, percebe imediatamente que aquele não é um templo como os outros. As colunas permanecem marcadas, a pedra conserva manchas escuras e o interior guarda uma aparência quase ferida, como se o edifício tivesse decidido não esconder totalmente aquilo por que passou. E, de certa forma, foi isso mesmo que aconteceu: as cicatrizes do grande incêndio de 13 de agosto de 1959 ficaram visíveis e transformaram-se numa parte inseparável da identidade da igreja.
Naquela noite de verão, Lisboa continuava a viver ao ritmo habitual da Baixa. Havia gente no Rossio, os cafés estavam abertos, os elétricos atravessavam a cidade e pouco fazia prever que, dentro de São Domingos, o fogo começava a destruir séculos de história. Às 20h40, o pedido de socorro chegou aos Sapadores Bombeiros de Lisboa e, a partir desse momento, o centro da cidade transformou-se num enorme cenário de emergência.
Os bombeiros chegaram e continuaram a chegar durante as horas seguintes. Enquanto centenas de pessoas se concentravam nas imediações para observar o clarão que se levantava sobre os telhados, sapadores e bombeiros voluntários preparavam linhas de água, faziam chegar escadas e procuravam impedir que as........
