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O mundo ainda passa pelo cabo

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19.07.2026

Há uma curiosa tendência portuguesa para tratar as melhores páginas da nossa História como quem muda de assunto num jantar de família. Fala-se delas depressa, com algum embaraço, e passa-se para outra coisa qualquer. Entretanto, o resto do mundo continua a utilizá-las.

Quando há guerra no Médio Oriente, quando o canal de Suez se torna inseguro ou quando os estreitos por onde passa o comércio mundial começam a ameaçar fechar, acontece uma coisa extraordinária: muitos navios voltam a contornar África.

Não é uma homenagem a Portugal. É apenas a geografia a impor-se.

Mas tem graça pensar que, mais de cinco séculos depois, a alternativa continua a passar pelo caminho aberto pelos portugueses quando decidiram que o mapa conhecido não lhes chegava.

Antes da Índia houve o medo.

Houve o cabo Bojador, que durante anos pareceu o fim do mundo. Gil Eanes passou-o em 1434 e, ao fazê-lo, mostrou que o terror também pode ser apenas uma fronteira mal conhecida. Depois vieram outros. Diogo Cão avançou pela costa africana e chegou à foz do Congo. Bartolomeu Dias enfrentou o cabo das Tormentas e provou que o Atlântico comunicava com o Índico. D. João II, com uma confiança digna de quem já via o futuro, mudou-lhe o nome para cabo da Boa Esperança.

E depois Vasco da Gama chegou à Índia.

Hoje resumimos........

© Observador