O mundo ainda passa pelo cabo
Há uma curiosa tendência portuguesa para tratar as melhores páginas da nossa História como quem muda de assunto num jantar de família. Fala-se delas depressa, com algum embaraço, e passa-se para outra coisa qualquer. Entretanto, o resto do mundo continua a utilizá-las.
Quando há guerra no Médio Oriente, quando o canal de Suez se torna inseguro ou quando os estreitos por onde passa o comércio mundial começam a ameaçar fechar, acontece uma coisa extraordinária: muitos navios voltam a contornar África.
Não é uma homenagem a Portugal. É apenas a geografia a impor-se.
Mas tem graça pensar que, mais de cinco séculos depois, a alternativa continua a passar pelo caminho aberto pelos portugueses quando decidiram que o mapa conhecido não lhes chegava.
Antes da Índia houve o medo.
Houve o cabo Bojador, que durante anos pareceu o fim do mundo. Gil Eanes passou-o em 1434 e, ao fazê-lo, mostrou que o terror também pode ser apenas uma fronteira mal conhecida. Depois vieram outros. Diogo Cão avançou pela costa africana e chegou à foz do Congo. Bartolomeu Dias enfrentou o cabo das Tormentas e provou que o Atlântico comunicava com o Índico. D. João II, com uma confiança digna de quem já via o futuro, mudou-lhe o nome para cabo da Boa Esperança.
E depois Vasco da Gama chegou à Índia.
Hoje resumimos........
