A Islândia, Porto Rico e a UE
O recente referendo no qual os islandeses foram às urnas e rejeitaram a possibilidade de reabrir negociações de adesão à União Europeia não será, em si mesmo, um acontecimento de grande importância para a Europa mas creio que constitui uma boa razão para promover a reflexão sobre os problemas que a UE enfrenta, muitos deles com causas internas.
O meu anterior antigo aqui no Observador, no qual procurei analisar as principais causas que terão conduzido à nega da Islândia à União Europeia, mereceu uma crítica por parte de Francisco Pereira Coutinho, que classifica a Islândia como o “Porto Rico europeu”. A crítica, como seria de esperar considerando o autor, é bem fundamentada e simpática (pelo menos para mim, talvez não tanto para a Islândia), mas discordo parcialmente dos argumentos apresentados e tentarei explicar porquê.
Creio que o fundamental da crítica está resumido neste parágrafo:
“A União Europeia tem na Islândia uma espécie de Porto Rico europeu: um Estado associado que contribui financeiramente e aplica grande parte das suas regras sem participar plenamente na respetiva elaboração. Os islandeses quiseram preservar este arranjo. Ninguém........
