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Escolhas portuguesas em tempo de conflito

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08.03.2026

Aeronaves norte-americanas a caminho de bombardearem o Irão foram reabastecidas com apoio  das Lajes e a importância geoestratégica dos Açores regressou à mó de cima. Infelizmente, o debate em Portugal centrou-se em dois pontos e esqueceu o que é essencial para o nosso futuro. Os dois pontos batidos e rebatidos à exaustão foram a conformidade com o direito internacional e a libertação do povo iraniano do jugo do regime sanguinário dos aiatolas. O esquecido é mais relevante para nós porque se relaciona directamente com Portugal. É um dilema que se põe nos seguintes termos: caso o fosso entre EUA e Europa se alargue, os Açores deixam de estar no centro do bloco ocidental e passam a situar-se numa zona de fronteira. A nova fronteira entre o bloco norte-americano (incluindo todo continente americano, debaixo da Doutrina Monroe) e o bloco europeu. Nesse caso, e se esta maior separação se concretizar, onde é que Portugal fica?

Esta é a pergunta que coloquei há umas semanas neste espaço e que se torna cada vez mais premente. Sem irmos muito longe no passado, os Açores foram um trunfo ponderado na Primeira Guerra Mundial, pela Inglaterra, e apetecido por Washington e Londres no decorrer da Segunda Guerra Mundial. E não foi só pelas bases que britânicos e norte-americanos pretendiam lá instalar. Tratou-se mesmo da possibilidade de as ocupar antes que os alemães o fizessem. Se essa ocupação seria temporária ou permanente é algo que felizmente não temos de saber. Mas é uma questão que se pode colocar no futuro se os conflitos em que já vivemos continuarem e se em vez de pensarmos em questões importantes que nos afectam........

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