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Um presente envenenado

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27.06.2026

Do pouquíssimo que vi, e não tenciono ver muito mais, a qualidade e a capacidade de entretenimento do futebol jogado no “Mundial” (tenham calma que a minha intenção é partir da bola para tratar de temas sérios, no fundo à semelhança daqueles políticos rústicos que se especializam em analogias do género “A oposição fez falta para cartão em vez de debater a proposta com seriedade” ou “O presidente é um árbitro que deixa jogar e apenas intervém se houver infracções graves”) é próxima de zero.

Dentro das proverbiais quatro linhas, o espectáculo dá sono. Fora delas, a excitação é inversamente proporcional. Se Fulano passa 90 minutos sem rematar à baliza, milhões de furiosos vão para a Internet classificá-lo de nulidade daninha que devia ter pendurado as chuteiras em 2008, ou preferencialmente nunca as devia ter calçado. Mas se depois Fulano marca um golo à selecção de um país cuja existência era desconhecida por 94,3% dos adeptos, confirma-se que Fulano afinal é um “génio” [sic] e o maior futebolista de sempre. Porém, se no dia seguinte Sicrano marca dois golos a um adversário similar, prova-se em definitivo que Sicrano é que é o maior ser humano a pisar a Terra desde que evoluímos das enguias. E isto enquanto Beltrano não entrou em campo e perpetrou um........

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