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A vida falsa e a morte verdadeira de Jason Arday

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15.08.2026

Comparada com a de Jason Arday, a vida de Ulisses, herói ficcional, foi a de um revisor oficial de contas, sem desprimor para os revisores oficiais de contas. Nascido em 1985, na infância Arday viu-se diagnosticado com atraso global do desenvolvimento e perturbação do espectro do autismo. Não conseguiu falar antes 11 anos de idade, comunicando apenas por linguagem gestual, e só aprendeu a ler e a escrever aos 18. Todas as previsões garantiam que Arday nunca conseguiria sequer ser uma pessoa autónoma, e a mera hipótese de um percurso académico só seria colocada por graçola de péssimo gosto.

Sucede que Arday, como todas as lengalengas de motivação que atafulham belos livros de auto-ajuda e comoventes telefilmes, não se resignou às limitações que o destino lhe definiu. Um dia, presumivelmente posterior à aprendizagem da escrita, Arday escreveu na parede do quarto uma lista de objectivos, entre eles o de chegar a professor em Oxford ou Cambridge. De seguida escreveu outras coisas, incluindo os trabalhos que lhe facultaram a licenciatura, o mestrado e o doutoramento. Com obras publicadas a partir de 2018 e passagens pela docência em universidades menores, Arday ganhou razoável fama enquanto autor e investigador. Está bem que a área de investigação era a da “igualdade étnico-racial” e da “inclusão”, mas mesmo assim. Em 2023, chegou enfim ao estrelato, com uma nomeação que o transformou no mais jovem professor catedrático negro de Cambridge, apesar de a distinção versar a Sociologia da Educação e apesar de enfrentar o que, segundo alguns, é a........

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