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A Blasfémia do Invisível. E a Ilusão da Certeza

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24.06.2026

A relação entre a matemática e a transcendência religiosa encontra um dos seus pontos mais  profundos na exploração de dimensões superiores. E não sei se é maior o desejo ou o  desassossego. Longe de ser uma metáfora espiritual, a interseção entre estas duas áreas serve  como um modelo estrutural para compreender o divino, expandindo os limites daquilo que é a  própria intuição humana e permitindo conceptualizar o que parece logicamente impossível na  nossa realidade física.

Desde que o Homem rabiscou o primeiro círculo na areia, temos mergulhado numa tentativa de  domesticar o sobrenatural com a geometria. Olhamos para o céu e exigimos dele uma arquitetura  cúbica, palpável, que caiba na palma da mão. Esquecemo-nos, por arrogância, de que o absoluto  não se deixa apanhar, muito menos enclausurar sem mais nem menos, nos consórcios daquilo que  a nossa biologia se vê forçada a ignorar.

Imagine-se um ponto bidimensional, condenado a estar eternamente sobre a superfície de uma  folha de papel. Se uma mão tridimensional atravessasse o seu plano, o ponto em questão não veria  uma mão. Observaria fatias de carne, secções isoladas, círculos de pele que aparecem e  desaparecem. Chamar-lhe-ia um milagre. Para o observador........

© Observador