A Blasfémia do Invisível. E a Ilusão da Certeza
A relação entre a matemática e a transcendência religiosa encontra um dos seus pontos mais profundos na exploração de dimensões superiores. E não sei se é maior o desejo ou o desassossego. Longe de ser uma metáfora espiritual, a interseção entre estas duas áreas serve como um modelo estrutural para compreender o divino, expandindo os limites daquilo que é a própria intuição humana e permitindo conceptualizar o que parece logicamente impossível na nossa realidade física.
Desde que o Homem rabiscou o primeiro círculo na areia, temos mergulhado numa tentativa de domesticar o sobrenatural com a geometria. Olhamos para o céu e exigimos dele uma arquitetura cúbica, palpável, que caiba na palma da mão. Esquecemo-nos, por arrogância, de que o absoluto não se deixa apanhar, muito menos enclausurar sem mais nem menos, nos consórcios daquilo que a nossa biologia se vê forçada a ignorar.
Imagine-se um ponto bidimensional, condenado a estar eternamente sobre a superfície de uma folha de papel. Se uma mão tridimensional atravessasse o seu plano, o ponto em questão não veria uma mão. Observaria fatias de carne, secções isoladas, círculos de pele que aparecem e desaparecem. Chamar-lhe-ia um milagre. Para o observador........
