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Quando o mal se torna procedimento

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06.01.2026

Esta semana vi, pela primeira vez, o filme Conspiracy (2001), uma produção da HBO que reconstrói a Conferência de Wannsee, a reunião onde altos responsáveis do regime nazi coordenaram administrativamente a chamada “Solução Final”. Apesar de já ter visto vários filmes e documentários sobre o Holocausto e sobre os totalitarismos do século XX, nunca tinha contactado com uma abordagem tão crua, tão despida de dramatização e, por isso mesmo, tão perturbadora.

Conspiracy não choca pela violência. Choca pela normalidade. Não há campos, não há gritos, não há sangue. Há uma sala confortável, café servido, linguagem técnica e homens instruídos a discutir um “problema”. Foi essa frieza — e a sua inquietante atualidade — que me levou a escrever a reflexão que se segue.

Numa sala confortável, em 1942, homens educados, juristas, diplomatas e altos funcionários do Estado alemão sentaram-se à mesa para discutir um problema. Não um crime. Um problema administrativo. O problema chamava-se “judeus”. O mais perturbador do filme não é o que é decidido, mas como é decidido. Não há gritos,........

© Observador