Vem cá, meu lindo?
Eu carrego um histórico de bullying. Na infância, fui considerado um monstrinho. Na adolescência, um monstro. Na maturidade, um monstrengo. O preconceito só ia crescendo comigo.
Eu envelhecia junto da rejeição.
Recebia uma porção de apelidos que me depreciavam: “placenta”, “Jason”, “Freddy Krueger”, “morcego”, “panqueca”, “Woody”. Pouco exercitei meu nome.
Os colegas se aproximavam e perguntavam com compaixão:
– Você sofreu um acidente?
Eu me sentia um acidente. Precisava explicar que era feio de nascença.
Não conseguia me descolar da sensação de estranheza, de impostor da simetria, de penetra no Éden, de aberração de circo.
Tentava atravessar os corredores da escola totalmente curvado e com passo acelerado, para não ser notado.
Eu festejava o silêncio. Sempre gostei do silêncio, que se mostrava........
