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A moral do áudio longo

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27.02.2026

Sempre que um vivente me antecipa que mandará um áudio porque é mais rápido, sei que despejará um podcast sem pé nem cabeça, não dizendo o que quer e narrando o que acontece ao seu redor.

Inclusive, vai parar o discurso de repente para retomar em seguida. O pior é que não interromperá a gravação. Chegará a pedir um minutinho para atender alguém ou procurar algo. Qual o sentido disso, se você não está junto no mesmo momento?

Não seria melhor enviar um áudio sucinto e editar a sua vida, abolindo os ruídos e distrações da mensagem?

O remetente se acha importante pelo tamanho da gravação. Quanto mais verbaliza, mais parece ao vivo, mais parece íntimo. Entretanto, o efeito é o contrário. Só aumentará a rejeição.

Ninguém tem disposição para ouvir um monólogo que nunca será diálogo, uma algaravia autorreferente que nem se preocupa........

© O Tempo