Não basta punir o feminicídio: é preciso impedir que ele aconteça
O feminicídio é a expressão mais brutal de uma violência que, muitas vezes, começa muito antes do último golpe, do disparo fatal ou do pedido de socorro que chega tarde demais. Ele é, frequentemente, o desfecho de uma sequência de ameaças, agressões, intimidações e tentativas de controle que não receberam uma resposta suficientemente eficaz do poder público.
O caso de Funilândia, na região Central de Minas Gerais, escancara essa realidade de maneira aterradora. Em 19 de outubro, Gerssica de Souza Vieira, de 31 anos, foi assassinada pelo companheiro, João Paulo Magela Teixeira, de 28 anos. Segundo informações divulgadas pela imprensa, após o crime, o homem publicou imagens do corpo da vítima nas redes sociais. Quando a Polícia Militar chegou ao local, ele reagiu a tiros e morreu durante o confronto.
O que torna essa tragédia ainda mais perturbadora é a informação de que a vítima já possuía histórico de violência doméstica e era acompanhada pela Patrulha de Prevenção à Violência Doméstica da Polícia Militar. Portanto, não se trata apenas de discutir a brutalidade de um crime, mas de enfrentar uma pergunta incômoda: se a violência já era conhecida, por que a proteção não foi suficiente para preservar uma vida?
É preciso cautela para não atribuir responsabilidades individuais antes da apuração completa dos fatos. Entretanto, é legítimo e necessário cobrar respostas institucionais. O acompanhamento policial, por mais importante que seja, precisa produzir proteção concreta. Identificar o risco não basta. É........
