Futebol, caciques, dança, mulheres livres e as saudades do Alexei Bueno
O tempo passa a correr mas deixa marcas e muitas vezes das boas. Um dia conheci o Alexei Bueno que me foi apresentado, de boca quase fechada, porque eu tinha que ter cuidado durante o serão literário para não me pôr a jeito de ser desconsiderado. Ao contrário, nessa noite nasceu uma amizade que durou um quarto de século e acabou no dia 26 de Junho, data em que Alexei morreu da doença da moda, logo ele que era sempre do contra, e modas nem as da roupa quanto mais as das ideias.Com 63 anos de vida Alexei Bueno levou para o caixão o ensinamento de muitas bibliotecas, de muitos livros que escreveu, que prefaciou, que apresentou, que leu com a mesma paixão com que fumava charutos e bebia que nem um desalmado.É dele, mas eu julgo que ele não inventou nada, a frase dita num início de um congresso onde tinha umas contas a ajustar com um dos congressistas. Vestido com roupa de índio, de rosto pintado para a guerra, com as lanças e as espadas a verem-se para lá das paredes do palácio do congresso, Alexei Bueno disse para um camarada de armas que se preparava para começar a debitar discurso: “Comece a falar, diga alguma coisa para eu ser contra”. Começo a ter saudades do........
