Fugas de fluidos radioactivos numa central em França e outras situações preocupantes
Uma vitória em Tribunal
Com o título “ ‘Vitória!’. Após 4 anos de processo, a EDF foi enfim condenada” (tradução), a publicação francesa Reseau – Sortir du Nucleaire publicou uma notícia com origem em Grenoble no dia 27 de Maio último, em que informava que o Tribunal de Apelo de Grenoble, Suiça, emitiu um despacho responsabilizando a Élèctricité de France (EDF) e Cédrik Háusseguy, Director do Centro Nacional de Produção de Electricidade de Tricastin, pela fuga de trítio[1] em Novembro de 2021 na central nuclear de Tricastin, a qual contaminou as águas subterrâneas com 900 litros de efluentes radioactivos que continham aquele elemento. A acção em Tribunal foi posta pela Reseau em 2021.
Em Dezembro de 2021, foi detectada uma actividade anormal de trítio nas águas subterrâneas da região. Tinha-se verificado, em 25 de Novembro, um problema técnico, que teve como resultado que efluentes radioactivos transbordaram para fora do reservatório que lhes era destinado, o que significa que estavam previstas situações de produção de efluentes líquidos radioactivos. Só que não em volume tão elevado. Depois, foram contaminadas as águas subterrâneas do local, embora isso tenha sido negado inicialmente pelos exploradores da central, num habitual mascaramento de situações anómalas perigosas em muitos países onde existem centrais nucleares. O acontecimento resultou do facto de que, desde 2019, não funcionava o respectivo sistema de alarme.
A EDF sempre escondeu a realidade e só fez a declaração do acontecimento à autoridade fiscalizadora, a Autorité de Sêcurité Nucléaire et de Radioprotecion (ASNR), como era sua obrigação legalmente instituída, no dia 15 de Dezembro, isto é, mais de 3 semanas após o designado “incidente” e negando a contaminação do lençol freático. Também, só mais tarde a ASNR tomou posição, aspecto que também é comum por todo o mundo com actividade nuclear, em que as autoridades fiscalizadoras escondem informação ou comunicam-na muito mais tarde após os acontecimentos.
No portal da central escreve-se: “A EDF assegura a exploração da central nuclear de Tricastin com a maior vigilância. Enquadrada por uma regulamentação muito estrita, a segurança da central é reexaminada em permanência e é objecto duma vigilância e controlo diários” (tradução).
Já em 2008, houve uma fuga de 18.000 litros de fluidos radioactivos, a qual provocou no local um excesso de cerca de 5% relativamente ao nível máximo permitido de radiação ambiente, com 100 dos trabalhadores afectados.
Houve novas fugas em 2013 e 2019. Neste último caso, a EDF apenas comunicou o sucedido 11 semanas depois do incidente.
Mas seria de perguntar à EDF qual seria o destino de tais........
