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A língua do gato

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15.06.2026

Vi o gato bebendo água na varanda.

Sua língua surgia e desaparecia num ritmo exato: tocava a superfície, recolhia um pouco de água e voltava. O silêncio da casa ampliava aquele movimento, transformando uma cena comum em algo quase hipnótico.

O curioso era que a água parecia não mudar. A língua ia e vinha, mas o recipiente permanecia praticamente igual, como se todo aquele trabalho não produzisse resultado algum.

Enquanto observava o gato, lembrei de uma mulher.

Não dela por inteiro. O que permanece de alguém raramente é o........

© O Mirante