A língua do gato
Vi o gato bebendo água na varanda.
Sua língua surgia e desaparecia num ritmo exato: tocava a superfície, recolhia um pouco de água e voltava. O silêncio da casa ampliava aquele movimento, transformando uma cena comum em algo quase hipnótico.
O curioso era que a água parecia não mudar. A língua ia e vinha, mas o recipiente permanecia praticamente igual, como se todo aquele trabalho não produzisse resultado algum.
Enquanto observava o gato, lembrei de uma mulher.
Não dela por inteiro. O que permanece de alguém raramente é o........
