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“O tempo não tem sul e não tem norte”: memórias para Abril futuro

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19.06.2026

Soneto da Viagem a Marte

(…) Nós teremos partido para a mortequando os homens partirem para Martee embora Marte já não nos importe,importante, ó futuro, é importar-te.

Importante, ó futuro, é quando a terra falar de fome e descrever a guerra como histórias lendárias de gnomos.Os dias forem lúcidos, translúcidos,e a vida, ao sabor dos dias lúcidos,se esqueça dos selvagens que nós fomos.

Sidónio Muralha, em O Pássaro Ferido , 1972

Em 2025, tive a oportunidade, em virtude da confiança de vários(as) amigos(as) de representar a Comissão das Comemorações Populares do 25 de Abril de Santarém – Associação Cultural, na cerimônia oficial junto à estátua de Salgueiro Maia. Estamos em junho, mas cada vez é sempre mais necessário dar testemunho de abril, sob pena de apenas “sairmos à rua de cravo na mão à s horas certas”, tal qual na célebre canção, este texto, quase nas mesmas circunstâncias, pretende arquivar essas palavras ao jeito de memória futura.

“Só tem medo desses muros quem tem muros no pensar”, assim cantou José Mário Branco, para concluir “se o pensamento for livre todo vamos libertar”. Nos dias de hoje, meados da segunda década do século XXI,........

© O Mirante