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Três países, um só Mundial

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O próximo Mundial de futebol será repartido, pela primeira vez, por três países: México, Canadá e Estados Unidos. São três países da mesma geografia, mas com tradições e histórias completamente diferentes. O México tem no futebol o seu desporto rei, corre nas veias dos mexicanos a adrenalina do futebol e tem um dos maiores estádios do mundo, o Estádio Azteca foi construído para receber 100 mil pessoas. Equivale a dois estádios de Alvalade. Hoje, pelas regras de segurança, está limitado a 87 mil, mas ainda consta como um dos maiores estádios do mundo. Os Estados Unidos e o Canadá estão a querer crescer, não têm o acervo do futebol mexicano, mas adoptaram as técnicas mais avançadas aplicadas à indústria e o que lhes falta em tradição compensam em tecnologia.

O conforto entre o futebol tradicional e o futebol modernos será interessante de seguir. Se quisermos, entre o futebol de "rua" e o futebol "científico". Durante décadas, o futebol foi apenas um jogo de talento, inspiração e emoção. O jogador mais criativo, o treinador mais motivador e a equipa mais inspirada faziam a diferença no desempenho dentro das quatro linhas. Hoje, há outros ingredientes. Os dados e a tecnologia são parte fundamental da preparação, muitas vezes invisíveis para os adeptos, mas decisivos dentro e fora de campo.

Os clubes profissionais não dispensam a análise de dados para avaliar jogadores, planear jogos e prevenir lesões. Através de GPS, colocados nos coletes de treino, os responsáveis pelo desempenho conseguem medir a distância percorrida pelos jogadores, a velocidade máxima, acelerações, níveis de fadiga e até o risco de lesão. Proporcionam uma informação estatística que revolucionou o scouting. Hoje, um clube pode analisar milhares de jogadores, em todo o mundo, sem sair do seu estádio. Métricas de performance como passes progressivos, ações defensivas ou mapas de calor ajudam a perceber o verdadeiro impacto de um jogador no jogo e na equipa, para além dos resultados visíveis, como os golos e as assistências.

Também a tecnologia entrou, definitivamente, no jogo através do VAR, a linha de fora de jogo semiautomática e sistemas de análise tática por vídeo. Os treinadores passam horas a estudar padrões do adversário, posicionamentos, bolas paradas e movimentos ofensivos, tudo com recurso a software especializado.

Será interessante sentir este confronto no mundial, o confronto entre dois "mundos" e dois "tempos" do futebol.


© O Jogo