Educação, PISA e cultura escolar
O alarido com os resultados do PISA (Programme for International Student Assessment) trouxe-me de novo à Educação. A queda dos resultados de Portugal foi substancial, embora muitos países ocidentais também tivessem maus resultados, o que gerou uma grande debate político sobre as causas e os culpados desta queda dos estudantes portugueses. Comecemos com a culpa. O que sai pior no retrato é João Costa, o ex-secretário de estado da Educação e ex-ministro da Educação dos governos socialistas de António Costa. De facto, as suas políticas subverteram aquilo que, vindo do tempo de Nuno Crato, estava a resultar e impuseram um conjunto de medidas delirantes que sufocaram as escolas em inanidades pedagógicas e burocracia sem fim.
Contudo, há que relativizar esta culpa. O problema surge no tempo de Cavaco Silva, com a reforma Roberto Carneiro. É aqui que penetra em força, no campo político ligado à Educação, a ideologia educativa da OCDE, que foi seguida pela generalidade dos ministros da Educação do PS e do PSD, com excepção de Nuno Crato. Diga-se, em abono de verdade, que o actual ministro não alterou nada de essencial do que vinha de João Costa. Os resultados desta ideologia são devastadores. Em primeiro lugar, destruiu a autoridade dos professores, mostrando-os como culpados de tudo o que alunos não sabem nem fazem. Em segundo lugar, minimizou a necessidade de os alunos serem responsabilizados e de prestarem provas externas durante todo o percurso escolar. Por fim, criou uma confusão nos currículos, criando áreas difusas, que ninguém sabe o que fazer com elas, desvalorizando a aquisição de conhecimento em prol do desenvolvimento de hipotéticas competências gerais, que ninguém sabe como desenvolver.
O problema fundamental, porém, é outro, que a ideologia educativa da OCDE mascarou. Existe em Portugal, e em muitos países ocidentais, uma cultura adversa à escolaridade. Há uma frase que resume essa cultura; as aulas são uma seca. Esta perspectiva não nasceu com os telemóveis, os ecrãs e o digital. Estes apenas a........
