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Enquanto houver estrada para andar

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19.10.2026

Um certo desânimo, com tanta destilação informativa ronaldista. Imprensa, rádio, televisão, tudo afinado para a campanha do regresso de Ronaldo à selecção nacional de futebol, como símbolo da Pátria. Portugal, no mundo, está na biqueira das botas do então nº 7, capitão da equipa das quinas, que, por não ter entrado como esperava (por ter sido combinado com o treinador) na segunda parte dum jogo em que os onze em campo lutaram como uns danados colectivamente pela vitória, abandonou o estádio sem aplaudir os seus colegas vencedores, e, por não ter o pedido de desculpas, da parte de Jorge Jesus, que achava seu por direito, mandou vir o seu avião particular e deu às de Vila Diogo, até à sua residência em Madrid, onde mora habitualmente.

Entrado na década dos quarenta, é visível, nos jogos da selecção, a sua quebra física num jogo normal, sendo mais apêndice que executor, e condicionando toda uma equipa a organizar jogo para ele satisfazer o seu alter ego: marcar golos. O que já, para quem não usa pala, nem tem a mão estendida, só raramente acontece, com prejuízo evidente para um colectivo de jovens competitivos, arrumados na bancada dos suplentes.

O jogador que foi já o não é, a não ser na sua semelhança com a madrasta da Branca de Neve. Espelho meu, espelho meu, quem é melhor do que eu? Claro que o espelho não pode dizer outra coisa, já que ele é o maior accionista individual da Media Livre, dona da CMTV e da NOW, além de títulos da imprensa como o Correio da Manhã, Record, Jornal de Notícias e Sábado, do turismo da moda e de outros (Público, 11/10). Do futebol viveu, fez fortuna, ganhou fama e mundo.

Daí a ser um símbolo da pátria, relembrando o salazarismo-marcelismo dos três EFES, Futebol, Fátima e Fado, com a anuência reverente de Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, ou do actual primeiro ministro Montenegro?

Pessoalmente, discordo.

Concordo é com o filósofo José Gil quando escreve: «acho lamentável – é uma construção dos tempos actuais – que alguém possa ser mediatizado e elevado a um ponto de ícone, artificialmente. E que, depois, por ter imenso dinheiro – e influência, por causa do dinheiro-, seja objecto, ou por outra, sujeito de uma série de acções lamentáveis. Pessoais e institucionais».(Público,11/10).

Trump, que o acarinhou na Casa Branca, e recebeu, oferecida por António Costa, então já presidente do Conselho Europeu, uma camisola das quinas com o nº 7, deve irritar-se ver uma sua referência desconsiderada, tão grave como o entregarem o prémio Nobel da Paz (que considera, por autofazedor daquela(?) no mundo, seu) a uma jurista da África do Sul, ainda por cima que acusou de genocida a política de Israel em Gaza. Deixa-me estupefacto, isso sim, é a atitude dos meios de comunicação social portugueses, tão........

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