O complexo mundo novo
Neste mundo novo, dominado por relações e reações rápidas, pela distância e instantaneidade de um clique, tudo parece desmoronar-se à nossa volta. As certezas antigas de um fim histórico pré-definido e enquadrado nas medidas do fim da Guerra Fria esboroam-se num aparente clima de anarquia internacional.
Os que antes lideravam a ordem, decidem agora agitá-la, torná-la indecifrável nos seus próximos desenvolvimentos, numa turbulência desconhecida há décadas… ou apenas desconhecida para alguns? A política externa dos Estados Unidos da América mudou o rumo ou afinou o futuro através de um diapasão antigo e imemoriável?
Tantas questões, um só mundo. Numa altura em que nos apercebemos da cada vez maior interdependência de fenómenos que se estendem da economia, à sociedade e às alterações climáticas, como entender este regresso a um mundo gerido a partir de interesses nacionais das maiores potências? Talvez seja um bom recurso olhar para a cronologia dos acontecimentos e procurar o que é realmente novo em tudo isto. Também ajudará relativizar o fenómeno. Por que sentimos nós tanta turbulência quando esta sempre esteve em nosso redor? Talvez porque para nós seja novidade, enquanto para outros foi uma constância.
Em redor da Europa foram caindo regimes políticos, como aconteceu nas Primaveras Árabes, outros sucumbiram a guerras civis e outros ainda foram-se mantendo no tempo e no espaço. Mas, nas fronteiras do espaço Schengen, a agitação chega com a guerra na Ucrânia, como se o estilhaçar dos Balcãs já não tivesse provado que o continente europeu não era imune à sangria da guerra.
A surpresa com que muitos falaram da invasão da Ucrânia, isolando o acontecimento no tempo e no espaço, parece desconectada deste mundo à distância de um clique que há muito deixava entrever a possibilidade de uma escalada de posições relativamente a este........
