RASI25 – descuido
O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI25), apesar de denunciar um ligeiro aumento da criminalidade geral (3,1%) e uma irrelevante diminuição da criminalidade violenta (1,6%), demonstra uma estagnação no registo de ilícitos criminais comparados com o ano anterior. Se no ano de 2024 fizeram soar os alarmes da preocupação, face à semelhança dos dados, 2025 não permite conclusão diferente.
Mas se a leitura e inerente análise dos dados que constituem o relatório, no âmbito da sua objetividade, são inquestionáveis, limitando-se a refletir, com rigor, os números que são fornecidos, há uma parte do relatório que, numa leitura mais subjetiva, pode permitir uma conclusão de que por parte dos relatores e de quem aprovou o relatório, no mínimo, houve um descuido merecedor de reflexão.
Apesar da sua nota preambular referir que o trabalho ali refletido "é o resultado do esforço de milhares de mulheres e homens que desempenham funções nas forças e serviços de segurança, a quem, num contexto marcado por riscos cada vez mais complexos e dinâmicos, se exige mais conhecimento e resiliência", indiciando que o documento iria dedicar alguma atenção ao risco ali anunciado, expectando que fosse destacado o número de agressões e de feridos em serviço, a verdade é que, sobre estes "incidentes" o relatório, constituído por 287 páginas, dedicou apenas uma tabela, sem nota de rodapé ou explicativa, numa dimensão de 1/4 de uma página.
Não se exigia, nem se tinha essa expectativa, que merecesse um destaque superior às três páginas, por exemplo, que foi dedicada à atividade da Inspeção-Geral da Administração Interna, onde os únicos processos concluídos (oito) com proposta de aplicação de pena ali referidos, imputados a 0,01% desses homens e mulheres, que comprovam a sua excecionalidade, mereceram, cada um deles, uma exaustiva e pormenorizada explicação sobre as infrações e as penas propostas.
Mas considerar irrelevante, sem merecer qualquer destaque, numa inquietante manifestação de indiferença, as 765 ocorrências com feridos e as 549 agressões dirigidas aos polícias portugueses, tem de merecer uma crítica pública. Quando 4,7% dos profissionais da PSP são agredidos e/ou feridos e o relatório não reflete qualquer preocupação em, pelo menos, utilizar igual destaque, obriga-nos a acentuar a estupefação na forma como a segurança e os seus atores são vistos por quem tem a obrigação de analisar e dar contributos para a sua melhoria.
Quem não cuida de quem cuida complica a sua cura!
