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Responder à guerra

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21.03.2026

1. Ver uma oportunidade numa guerra não é algo simpático de assumir publicamente, sobretudo quando as perdas ameaçam ser desastrosas para famílias e empresas. Mas as coisas não deixam de acontecer por fecharmos os olhos e pedirmos para que não aconteçam. A miséria de uns será sempre o provento de outros. Exatamente por isso, o enorme movimento de "transumância" turística a que estamos a assistir, com largos milhares de cidadãos a cancelar viagens e férias no Médio Oriente, orientando o seu interesse e poder aquisitivo para outras latitudes (Portugal incluído), devia fazer-nos pensar numa estratégia que, ainda que de forma indireta, possa ajudar a mitigar os efeitos do conflito militar na economia portuguesa. Estima-se que, só no verão, o nosso país possa receber mais 300 mil turistas britânicos, desistentes de umas férias na zona do Golfo Pérsico. No mundo real dos negócios, os países competem entre si, sobretudo em contextos de adversidade estrutural. Não há que ter pruridos em atacarmos esta fatalidade como uma oportunidade.

2. Ao olharmos para a resposta de Espanha à crise energética só podemos sentir uma pontinha de inveja pela ousadia das medidas do Governo de Pedro Sánchez. A redução para 10% do IVA da gasolina, gasóleo, luz e gás fica a anos-luz dos paliativos aprovados por Portugal. Só nos combustíveis, falamos de uma poupança de 30 cêntimos por litro. Bem sabemos que a robustez da economia espanhola não é comparável à nossa, mas o exemplo dado por Madrid também nos teria ficado bem: abdicar da engorda fiscal do Estado em benefício da saúde dos cidadãos.


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