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Do lado certo da trincheira

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saturday

Não deve ser fácil ser presidente dos Estados Unidos da América. Em nenhuma circunstância, mas em particular quando o Mundo está em ebulição. Mas ser Donald Trump é outra coisa. A ligeireza de todos os anúncios e decisões, típicas de um bully de recreio escolar, fazem com que, paradoxalmente, ser presidente dos Estados Unidos da América pareça tremendamente simples. Basta acenar com umas bombas e uns jatos, tudo embrulhado numa capacidade bélica estrondosa, culpar os outros pelas nossas asneiras e encher a peitaça com um discurso triunfante. Dali não podemos esperar mais. A estratégia para o Médio Oriente é um logro. Primeiro na Faixa de Gaza, agora no Irão. Num dia, a guerra acaba para a semana, noutro acaba daqui a mês. O petróleo, esse, vai enjoando na montanha-russa de preços. Num dia, Trump vai reabrir o estreito de Ormuz, no outro não é nada com ele. E, no intervalo desses dias, ameaça retirar a América da NATO, mesmo que essa seja uma competência exclusiva do Congresso.

Ao não alinharem nesta trajetória autofágica, os líderes e as nações que se derem ao respeito somarão pontos no campeonato da decência, mas acima de tudo estarão a mostrar ao Mundo que a política internacional e os conflitos militares não são caprichos nem táticas de legitimação eleitoral interna. O caminho suicida de Trump ainda não foi suficientemente percecionado pela maioria dos americanos, sobretudo os que ainda veem nele uma personagem do faroeste. Mas mesmo que isso suceda, o homem que fala da guerra e de salões de festas com a mesma frivolidade tratará de sobreviver. Se a soberba não o fizer implodir, resta-nos esperar do lado certo da trincheira. Até 2029.


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