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Sem julgar a pobreza

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19.06.2026

Vestidas de uniforme, chegam à praça pública e caminham em passo acelerado, trazendo números debaixo do braço e uma aparência de certeza que dispensa perguntas. São palavras perigosas, não porque mintam, mas porque sugerem mais do que dizem. A palavra fraude é uma delas. Durante dias, o país ouviu falar de 159 milhões de euros em pagamentos indevidos de prestações sociais, um número que, por si só, já possui a força de um trovão, uma intempérie que rebenta sobre uma sociedade cansada de pagar impostos, aflita com rendas, prestações e salários curtos. A imaginação encarrega-se do resto e formam-se as figuras habituais: os oportunistas, os preguiçosos, os profissionais da dependência, os eternos suspeitos da pobreza.........

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