O falhanço que ninguém quer ver
Se isto não é hipocrisia, então o que é? Vamos primeiro aos números. Segundo a Unicef, 15% das crianças relatam ter sofrido cyberbullying. 12% admitem ter praticado este tipo de comportamento. O fenómeno está em crescimento e assume formas cada vez mais complexas no ambiente digital, apesar de todos os alertas, incluindo da OMS. Acresce que, com o expandir da inteligência artificial, a ameaça é maior.
Ora, a Comissão Europeia (CE) descobriu esta semana que os mecanismos de controlo de idade adotados pelo Facebook e Instagram não funcionam! Diz a CE que as redes sociais da Meta "violam a lei dos serviços digitais por não identificarem, avaliarem e mitigarem os riscos de menores de 13 anos acederem aos seus serviços".
Mais surpreendente é reconhecer, só agora, que "as medidas que foram implementadas para garantir esta restrição não parecem eficazes". Exemplifica que um menor de 13 anos pode criar uma conta com uma data de nascimento falsa, o que todos estamos cansados de saber.
A CE ameaça a Meta com mais uma multa. Por sua vez, a Meta volta ao discurso batido. Afirma dispor de medidas para detetar e remover contas de crianças e promete continuar a investir em tecnologias para identificar utilizadores menores. Como é óbvio, a proteção dos menores no espaço digital colide com a lógica de um negócio desenhado para manter os utilizadores o mais tempo possível conectados, independentemente da idade. Não é um problema novo. E a CE sabe-o bem.
Acontece que a grande questão não é saber que os mecanismos falham. É continuar a fingir que algum dia funcionem.
