Requalificar, valorizar e reforçar competências na saúde
A palavra-chave do setor da saúde, em geral, e do Hospital de Santa Luzia, em Viana do Castelo, em particular, é clara: pressão. Uma pressão crescente sobre serviços que, apesar da dedicação exemplar dos seus profissionais, continuam a funcionar, demasiadas vezes, em condições físicas (espaços funcionais) e de equipamentos que ficam aquém do desejável. Mas também a pressão legítima de uma população que exige respostas, qualidade e dignidade no acesso aos cuidados de saúde.
Importa recordar que o Hospital de Santa Luzia não serve apenas o concelho de Viana do Castelo. É uma unidade de referência para mais de 230 mil cidadãos dos dez concelhos do distrito, assumindo um papel central na coesão territorial e no direito à saúde no Alto Minho.
Perante esta realidade, é urgente agir. À recente requalificação do bloco de partos, em fase de conclusão, e que contou com um investimento municipal na ordem dos cem mil euros, devem somar-se investimentos estruturais por parte da tutela, nomeadamente na requalificação geral da unidade, incluindo novas urgências, urgência pediátrica, segurança e mobilidade/estacionamento. O que está em causa é simples: garantir que, ao esforço incansável dos profissionais de saúde e do Conselho de Administração, corresponda um compromisso efetivo do Estado, traduzido num envelope financeiro adequado. Só assim será possível assegurar um hospital com condições físicas dignas e capaz de responder, com qualidade, às exigências atuais.
Sem descentralização de competências nesta matéria, asseguramos já investimentos significativos, como a USF da Meadela, superior a 3,4 milhões de euros (com investimento municipal superior a 1,2 milhões de euros), as requalificações nas unidades de Darque, Barroselas e Lanheses, para além do novo Centro de Saúde de Alvarães, obra do PRR já em fase final de conclusão, num investimento superior a 2,8 milhões de euros (com investimento municipal superior a 1,2 milhões de euros). Paralelamente, estamos a avançar com a reabilitação da Estrada de Santa Luzia, um acesso estruturante ao hospital, com um investimento superior a 1,2 milhões de euros, reforçando as condições de acessibilidade a esta infraestrutura essencial.
O foco do investimento municipal direto foi direcionado para a rede de cuidados primários, pelo que é necessário que o Governo, e em especial o Ministério da Saúde, olhe para o nosso hospital e permita e concentre investimento real, para que os nossos profissionais possam prestar o melhor serviço em boas condições físicas. É, por isso, indispensável que o Governo, e em particular o Ministério da Saúde, assuma este dossier como prioritário. O Hospital de Santa Luzia merece mais: merece ser requalificado, valorizado e reforçado nas suas competências, e não progressivamente esvaziado.
Neste contexto, reiteramos total disponibilidade para colaborar neste processo de requalificação. Até porque falamos de um equipamento com valor histórico e simbólico, projetado pelo arquiteto Raúl Chorão Ramalho, que assinala este ano meio século desde o início da sua construção, um marco que deve ser acompanhado por uma nova visão para o hospital e para a saúde no Alto Minho.
