Braga, o passado por futuro
Volto com frequência à cidade onde vivi dois anos e acompanho as notícias a seu respeito.
A aprovação de uma nova autoestrada na cidade - chamam-lhe Circular Externa - e o abandono de um transporte em sítio próprio - chamam-lhe BRT -, entristecem-me e levam-me a lançar um repto aos decisores políticos: considerem todas as cidades europeias e encontrem alguma que tenha abandonado um projeto de transporte coletivo a favor de uma estrada para tráfego rápido de automóvel.
Li no JN que há quem acredite que esta circular retira automóveis ao centro. Não sei qual o estudo em que se baseia, mas gostava de conhecer. Porque, se 69% da população usa o carro para os seus movimentos casa-trabalho (dados de 2021), não percebo como vão deixar de o fazer, nem qual o motivo para deixar de vir à área central, do eixo dos shoppings à estação. A circular não será antes mais um motivo para optar pelo carro e as filas aumentarem?
Vejo também, pela aprovação do PDM, que Braga continua a pensar que crescer - mais 1500 ha para construção ("por todas as freguesias") - é melhor que ocupar prédios vazios ou construir junto aos existentes, a par de uma aposta na circulação a pé e em transportes coletivos rápidos, confortáveis, em faixas bus, a chegar a horas. Expandir a malha urbana e aumentar os quilómetros e o tempo gasto nas viagens de automóvel (ou autocarro) no vai e vem entre o centro e o subúrbio é modelo dum passado de carrodependência. Gera congestão. E não se resolve com circulares.
