Tudo de bom, Dona Fernanda
Ontem não quis despedir-me da Dona Fernanda. Porque, na verdade, ela só vai embora da minha viela-vida amanhã e nutro a esperança de não ter de me despedir hoje de um rosto que faz parte da minha vida há mais de 20 anos, muitas vezes através do silêncio dos vidros das nossas janelas, que ficarão, vá, a menos de dois metros uma da outra. Daquelas distâncias que gostamos de descrever como sendo a do aperto de mão, a do pacote de farinha ou de leite dispensado numa emergência, enfim, a distância a que os nossos gatos, o meu Manel, ido já, e o dela, cujo nome nunca soube, encetaram longos monólogos de olhares de macho orgulhoso do seu espaço.
A Dona Fernanda estava bonita, ontem, roupa singelamente florida, cabelo bem arranjado, como sempre a........
