Combater o horror com dignidade
O regime teocrático de Teerão perpetua um ciclo de opressão, agride a sua própria população e ignora a vontade de paz do seu povo. Tem de ser combatido. O regime iraniano massacrou a sua própria população: feridos de guerra em plena cidade, espancamentos, detenções em hospitais e doentes revistados à procura de "ferimentos suspeitos". É um dos regimes mais brutais que o mundo já conheceu. Há relatos de forças de segurança que invadem hospitais, retiram feridos após cirurgias e detêm profissionais de saúde por prestarem cuidados a manifestantes.
Ainda assim, assistimos, com perplexidade, à forma como Donald Trump ameaça o regime de Teerão: "uma civilização inteira morrerá esta noite, para nunca mais voltar". Esta narrativa trumpista, imprevisível e banalizadora da guerra e da vida humana, ignora os valores democráticos e envergonha o Ocidente. O que separa uma democracia liberal de uma ditadura teocrática é, precisamente, o humanismo e os valores. O Ocidente não pode combater o horror com mais horror. Temos, sim, de libertar o Irão.
Os interesses das grandes potências nos recursos energéticos da região não podem continuar a sobrepor-se ao bem-estar de populações inteiras. Onde fica, no meio de tudo isto, a dignidade humana? Combater o regime terrorista do Irão? Sim, mas com dignidade, com humanismo e sem abdicar dos valores que definem o Estado de direito democrático.
