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Donald Trump está louco?

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24.04.2026

Os média internacionais têm vindo a colocar em debate a possibilidade de o presidente dos Estados Unidos não estar mentalmente apto para o exercício das suas funções, o que poderia levar à invocação da 25.ª Emenda da Constituição que prevê mecanismos para um afastamento do cargo. Multiplicam-se os episódios que robustecem esse quadro de doença mental. Nos últimos tempos, vivemos uma espécie de distopia política com impactos globais muito significativos.

Há poucos dias, Donald Trump publicou na sua rede social uma ameaça dirigida ao Irão, num registo claramente apocalíptico: "Uma civilização inteira vai morrer esta noite". Este é apenas mais um exemplo. Perante a declaração, a antiga deputada republicana Marjorie Taylor Greene considerou que tal linguagem "não é retórica musculada, mas demência". Em declarações ao jornal "New York Times", Stephanie Grisham, antiga porta-voz do presidente, assegurou que Trump "não está bem". Conta o mesmo jornal que, neste período, têm chegado inúmeras cartas ao gabinete médico da Casa Branca, pressionando para que seja elaborado um diagnóstico rigoroso da saúde do presidente.

Não é a primeira vez que se problematiza a saúde mental de um presidente. Outros foram questionados nesse sentido: John Adams, Andrew Jackson, Theodore Roosevelt e Franklin Roosevelt. Há relatos de que Abraham Lincoln sofria de depressão. Ronald Reagan apresentava sinais de declínio no final da sua Presidência, sendo-lhe depois diagnosticada a doença de Alzheimer. Richard Nixon adotava uma espécie de teoria do louco, usada em contextos negociais. No entanto, nunca esse debate foi tão intenso como desta vez. E há razões para tal.

A lista de declarações e de episódios incompreensíveis é extensa, tal como relata a última edição da revista "Courrier International": Trump terá confundido a Gronelândia com a Islândia; terá trocado o presidente do Irão com o Guia Supremo; publicou uma imagem sua como Jesus Cristo que apagaria pouco tempo depois; e, quando o então diretor do FBI Robert Mueller faleceu, escreveu: "estou contente que tenha morrido". Neste mandato, os seus discursos são mais longos, as injúrias mais graves, as explosões de raiva maiores e mais frequentes.

Há, no entanto, quem advogue que esta linha de debate é perigosa. A revista "L"Express" que colocava ontem o tema em capa, defendia que tal estratégia pode fortalecer a base de apoio eleitoral de Trump, aprofundar o ambiente de polarização e fragilizar ainda mais a diplomacia internacional. Um presidente dos EUA instável e irracional aumenta a incerteza geopolítica e eleva o risco de escaladas militares. O Mundo nunca esteve tão perigoso.


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