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Uma oportunidade?

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26.03.2026

A atual conjuntura internacional, com guerras entre a Ucrânia e a Rússia, os Estados Unidos, Israel e o Irão, está a revelar-se uma oportunidade para a Europa e, por consequência, para Portugal.

Podemos olhar para algumas áreas e perceber como as oportunidades podem nascer. Falamos das áreas da defesa, da energia, do digital ou da saúde. Só estas áreas revelam que o ambiente de crise se transforma numa oportunidade para a indústria e para os serviços europeus.

Sustentabilidade, qualificação, inovação e cooperação podem ser palavras-chave nesse processo de revigorar as economias dos estados-membros europeus.

Bruxelas está a abrir o processo negocial, entre 2028-2034, para um novo ciclo de fundos estruturais da União Europeia. Esse novo plano plurianual, cujo envelope financeiro não está ainda fechado, vai permitir à Europa a criação de um Fundo Competitivo na sequência do relatório Draghi.

Nesta oportunidade europeia, Portugal poderá desempenhar um novo papel que lhe permita relançar também a sua economia. Falamos de campos tão diferentes como a construção naval e a montagem industrial de drones na área da defesa até ao uso das energias renováveis. A qualificação técnica das nossas escolas de engenharia ou de arquitetura pode ser uma mais-valia neste processo de inovação onde a digitalização assume particular destaque.

A Europa não está, assim, condenada a ser o museu que povos de outras geografias vêm visitar nos seus tempos de lazer. Graças a este fundo para a competitividade poderá retomar a iniciativa política e dar uma resposta aos gigantes comerciais, como a Índia, a China ou os Estados Unidos, que procuram acelerar a sua decadência.

A Europa deve preparar-se para uma resposta estrutural, mas que compreenda e aprenda as lições desta conjuntura.

A Europa tem aqui uma oportunidade de vir liderar o mundo livre e ocidental sem qualquer dramatismo narcisista, apresentando-se os seus aliados como uma entidade de confiança.

A Europa, e porque não Portugal, pode ter um discurso ambicioso, onde cooperação, confiança e capacidade sejam palavras-chave neste futuro contexto onde os fundos estruturais não são meros números, mas antes uma oportunidade de ouro para o futuro europeu.

"A única liberdade digna desse nome é a liberdade de procurarmos o nosso bem nos nossos termos, desde que não tentemos privar os outros do mesmo objetivo", escrevia John Stuart Mill.

No fundo, é tentar encontrar a resposta à afirmação de Stuart Mill quando se preocupa com o valor da liberdade, sobre qual será mais importante, fazendo com que os europeus assumam a liberdade como um traço distintivo da nossa civilização desde que não privemos outros de atingirem a sua felicidade.


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