Os territórios, infraestruturas críticas de programação e planeamento
Num país tão pequeno como o nosso e numa era de realidade virtual onde prevalece cada vez mais a digitalização, a automação e a inteligência artificial, fazer convergir os planos local e global do território não é uma tarefa nada fácil. O século XXI está a mudar muito rapidamente as métricas que definem a soberania e a sustentabilidade das nações. Não é o fim dos territórios, mas é, de uma certa perspetiva, a sua desterritorialização. Ou seja, a prosperidade de um país e a sua importância internacional já não se medem apenas pela riqueza gerada no interior das suas fronteiras geográficas, mas, antes, pelo controlo estratégico das suas tecnologias de fronteira, de que são exemplo as redes 5G e 6G, a automação e a robótica, as plataformas digitais, a biotecnologia, a engenharia aeroespacial, a computação avançada e a inteligência artificial.
Neste contexto, a soberania e a segurança geoestratégica de um Estado-nação como Portugal depende menos de uma programação financeira plurianual no quadro europeu do que de um planeamento transversal e flexível de médio e longo prazo que quebre efetivamente os silos institucionais e as gavetas burocráticas existentes de longa data. Na verdade, tecnologias de fronteira são tecnologias disruptivas que não têm apenas uma aplicação setorial. E é aqui, justamente, neste potencial de uso múltiplo das tecnologias de fronteira, que se joga, hoje, a soberania e a segurança de um Estado-nação democrático. E é aqui, também, que se joga a segurança de infraestruturas críticas como as redes de energia, de recursos hídricos, de transportes, de comunicações, mas, também, no plano do ordenamento do território, conservação da paisagem e soberania alimentar, os sistemas agroflorestais multifunções, as áreas de paisagem protegida como os parques naturais, as zonas de intervenção florestal (ZIF), as áreas integradas de gestão paisagística (AIGP), os condomínios de aldeias (CA), as bacias hidrográficas, os baldios e outras associações de conservação da natureza e floresta, que, na sua interdependência sistémica, asseguram a produção de biomassa, a captura de carbono, a cobertura vegetal e a retenção da água, a qualidade dos solos e a soberania alimentar.
É aqui que nos encontramos, com alguns destes territórios a servirem de infraestruturas de acolhimento para receberem investimentos geoestratégicos de grande relevância. O exemplo do ecossistema do Barroso, património agrícola mundial da FAO, que recebe........
