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Um esporão de silêncio sobre os ombros

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01.06.2026

Uma visão ou a primeira sombra. Tudo principia de um osso principal. Uma luz que estremece e não vem de dentro, mas da tua mão; ela que, por fim, vem imitar o caos e espremer a beleza mais funda desse corpo que se perdera. E então o teu rosto deixa de ser terrestre e a noite não tem nenhuma ordem.

E tudo é agora piamente orgânico e, de alguma forma, póstumo. Há uma malignidade que vem por bem sempre que os meus olhos caem ao mar e é insondável todo o desejo. Mesmo que nada mais haja, sobra uma febre irredutível que há-de espalhar-se até ao fim, uma água em forma de lâmina rasgando o cume dessa cicatriz que é toda a infância. Estamos iludidos de um morno princípio, quando é afinal ali que tudo acaba.

A mãe renasce de uma membrana da........

© JM Madeira