Vamos fazer uma visita
Antigamente, as pessoas faziam visitas umas às outras sem levarem nada na mão e sem receberem de volta coisa nenhuma. E mesmo assim era uma grande alegria. Bastava se visitarem, se sentarem à roda da mesa da cozinha nas bancas, se conversarem conversas das coisas da vida e era tão bom. “Conversa não enche barriga” – disse-me um dia a senhora Vitória do sr José de Marques, quando me viu horas infinitas a conversar com Madalena, um convite para eu me ir embora direitinha para a porta. É verdade! Mas conversa enche o coração, cria laços e rituais. O Principezinho de Saint-Exupéry ensina-nos o valor da amizade e dos rituais, ou não fôssemos nós seres de palavras.
Um dia, eu fui com minha tia Heliodora, que Deus lhe dê o céu, fazer uma visita. Eu tinha dito a minha tia: “Tia, vamos ao Lar fazer uma visita à tia Isabelinha?” Minha tia cresceu e disse logo que sim, mas pôs-se com coisas, que não queria me tirar tempo da minha vida, que eu tinha as minhas responsabilidades e mais........
