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A terra que nunca cabe na mala

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30.07.2026

A Madeira cabe numa fotografia antiga, no cheiro de um bolo do caco acabado de sair da pedra, numa expressão dita sem pensar, num bordado pendurado na parede de uma casa em Toronto, em New Bedford ou em Caracas. Cabe, sobretudo, onde a geografia nunca chega: dentro das pessoas.

Aprendi, no exercício da psicologia, que o ser humano não vive apenas de lugares. Vive de pertenças. E poucas pertenças são tão persistentes como aquela que nasce na infância. Podemos mudar de país, de língua, de profissão ou de rotina. Mas há uma parte de nós que continua a responder ao lugar onde aprendemos a chamar "casa".

Emigrar é um exercício permanente de coragem. É aceitar partir sem saber exatamente quando será o regresso.........

© JM Madeira