As palavras que o corpo produz
Ou]vi, no final de setembro, Christine Sun Kim, uma artista coreano-americana, na inauguração da sua exposição, no MUDAM, museu de arte contemporânea do Luxemburgo. Na sua exposição FOR EVER (PARA SEMPRE), onde se ressente um questionamento sobre a sobrevivência da comunidade surda e da língua gestual devido aos desenvolvimentos na área clínica, a artista surda reapropriou-se do som e a sua arte questiona-nos. Que espaço para as pessoas que não fazem parte da «norma» — qualquer que ela seja num dado momento histórico e num dado contexto social? Por que razão temos de nos adaptar à «norma», e não o contrário? Como ultrapassar os limites da linguagem para nos referirmos a uma realidade diferente da da «norma»? Uma das respostas poderá ser a consciência de um espaço de interlocução, isto é, de quem é, de quem pode ser o meu interlocutor, pois só nomeando re-conhecemos. Christine interpela-nos, pois, sobre as ameaças de apagamento da comunidade surda e da importância desta para a biodiversidade humana. Lembrei-me também do filme Sorda (Surda) — disponível........
