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A “revolução miserável” e outras ficções úteis

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30.04.2026

O encerramento do ciclo comemorativo do cinquentenário do 25 de Abril coincide com um momento politicamente revelador: a reinterpretação da história recente através de um nivelamento moral entre o Estado Novo e a democracia. Quando se insinuam equivalências simplistas entre a PIDE e o PREC, ou quando se qualifica de “miserável” uma revolução que pôs fim a quarenta e oito anos de ditadura, corrói-se o consenso fundador que sustenta a ordem democrática portuguesa. Não se trata de um equívoco inocente. Mas sim de uma estratégia deliberada, com efeitos na credibilidade das instituições e na perceção que as gerações mais jovens têm do regime que herdaram.

Esta reformulação da memória histórica não é um fenómeno isolado nem exclusivamente português; inscreve-se, pelo contrário, num padrão mais amplo documentado pela investigação comparada sobre erosão democrática. Os regimes raramente colapsam por rutura abrupta —........

© JM Madeira