À espera de Godot
Há muito tempo que o debate político português gira em torno das mesmas promessas: reformar o país, modernizar a economia, crescer mais, convergir com a Europa. O problema é que, por detrás da retórica da mudança, parece existir um entendimento tácito entre os protagonistas do sistema. Porquê? Porque mudar implica custos, riscos e rupturas que poucos estão dispostos a assumir. E assim, entre cálculos tácticos, bloqueios convenientes e encenações sucessivas, o país mantém-se preso no impasse. Eis dois exemplos recentes.
Comecemos pelo Código do Trabalho. Durante nove meses a principal estratégia do Governo foi procurar uma solução na concertação social com a UGT, uma central sindical historicamente muito próxima do PS. Como se previa, a coisa não deu em nada, ou seja, resultou em parto de nado-morto. Logo, nem o governo conseguiu um acordo com a UGT, nem o PS deixou de exercer influência para minar esse acordo. A outra opção oferecida ao governo era usar a maioria de direita confortável que tem na AR, tal........
