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Quando a política entra na prateleira do supermercado

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21.05.2026

Há uma coisa curiosa acontecendo com as marcas no Brasil: elas já não precisam falar de política para virarem política. Basta estar na prateleira, no comercial de fim de ano, no corredor do supermercado ou no vídeo de trinta segundos que passa entre uma rolagem e outra.

De repente, o detergente deixa de ser detergente, o chinelo deixa de ser chinelo, o chocolate deixa de ser chocolate. Tudo vira uma pequena urna simbólica, dessas em que ninguém vota de fato, mas todo mundo declara de que lado está.

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Foi mais ou menos isso que aconteceu com a Ypê. O caso começou em torno de uma crise objetiva, ligada à suspensão de produtos e ao debate regulatório, mas rapidamente deixou de caber nesse enquadramento. De repente, a conversa chegou a mais de 400 mil menções, depois de partir de 130 mil menções originalmente coletadas sobre a crise.

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Em dois dias, foram aproximadamente 315 mil novas menções. Mais relevante do que o salto, porém, foi a natureza dele: quando a política entrou, o tema saiu de uma presença inicial de 7% para algo em torno de 44% de toda a conversa.

E a cada nova crise, mais “barulho métrico”. Havaianas, por exemplo, que politizou mais cedo a percepção das pessoas, somou pouco mais de 245 mil menções.

O que esses números talvez mostrem não é apenas que a política aumenta a conversa. Isso seria quase óbvio. O ponto mais interessante é que ela aumenta e esvazia ao mesmo tempo.

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