O erro de valuation por trás do plano fracassado da FIFA
Andrew Levander conhece bem as disputas mais complexas do ambiente corporativo americano.
Sócio do escritório Dechert em Nova York, ele construiu sua reputação atuando em investigações de alto perfil envolvendo crimes de colarinho branco e em litígios de grande repercussão.
Agora, seu nome aparece associado ao maior conflito institucional recente do futebol.
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Levander foi contratado pela UEFA para representar a entidade na ameaça de uma ação judicial contra a FIFA em razão do plano frustrado de criar a FIFA Forward Enterprise (FFE).
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O apelo da UEFA ao figurão passou praticamente despercebido diante do recuo de Gianni Infantino em avançar com a subsidiária que concentraria direitos comerciais da entidade e de vender uma participação minoritária a investidores privados liderados pela Thrive Capital.Portais especializados em advocacia, como o Benchmark Litigation, dimensionaram o peso da entrada de Levander no caso ao afirmar que o episódio “está se tornando rapidamente uma guerra civil no mundo do futebol”.Ao analisar o imbróglio, o Futebol E Negócios destacou que a escolha de uma firma americana amplia a capacidade jurídica da UEFA em uma eventual disputa.
O caso pode abrir discussões sobre novos modelos de financiamento no futebol global, incluindo securitização de receitas e venda de participações em veículos comerciais, além de aprofundar debates sobre governança e conflitos de interesse.Uma disputa prolongada também traria impactos potenciais sobre calendários competitivos, patrocínios e direitos de transmissão associados aos futuros projetos da FIFAEnquanto os desdobramentos do caso concentraram-se na derrota política que ameaça a permanência de Infantino no comando da entidade, uma discussão paralela foi relegada a segundo plano. Qual era o valor real do ativo que a FIFA pretendia vender?Cálculos de Nikola Vuković, professor de investimentos em private equity de Oxford, indicam que a avaliação de US$ 20 bilhões atribuída à FFE está significativamente abaixo do potencial do ativo. O especialista classifica a proposta como “escandalosa” e estima que a nova empresa poderia valer aproximadamente US$ 60 bilhões.A análise de Jamie Bajwa complementa esse raciocínio ao comparar a operação com negócios recentes envolvendo grandes propriedades esportivas globais, como a aquisição da Fórmula 1 pela Liberty Media.
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Segundo o levantamento feito pelo especialista, a avaliação estabelecida pela FIFA representa um desconto superior a 50% em relação ao múltiplo pago pela categoria de automobilismo.
Selecionei a análise minuciosa dos números feita pelos dois insiders em torno da oferta fracassada de private equity de Infantino para deslocar o debate sobre a governança e a política da FIFA.
O caso envolve a tentativa de precificar um dos ativos esportivos mais raros do mundo e compreender como o mercado atribui valor a uma propriedade global construída ao longo de décadas a partir da combinação entre competição, direitos comerciais, distribuição e relevância cultural.
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A matemática por trás da avaliação da FIFA
O plano de Infantino previa um pagamento único de US$ 20 milhões no início de 2027 para cada uma das 211 associações-membro da FIFA, totalizando US$ 4,2 bilhões.
As associações poderiam ainda acessar outros US$ 20 milhões, chegando a um total de US$ 40 milhões, por meio da venda de participações minoritárias adicionais para um grupo diversificado de investidores de longo prazo. Essa segunda etapa, contudo, não foi considerada nos cálculos realizados por Vuković.
A base utilizada pelo especialista em private equity e investimentos em esportes considera as receitas da FIFA no ciclo........
