Trocar o presidente não muda Cuba: o erro estratégico dos EUA na ilha
LONDRES – Na década de 1960, a CIA tentou matar Fidel Castro com charutos envenenados, conchas explosivas e roupas de mergulho contaminadas, como se eliminar o homem no topo fosse, de alguma forma, resolver todos os problemas em Cuba. Hoje, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está tentando algo parecido, ainda que com métodos menos extravagantes. Não funcionou daquela vez e não vai funcionar agora.
Miguel Díaz-Canel, atual presidente de Cuba, com uma expressão impassível, admitiu recentemente que o regime está negociando com os odiados gringos. O que ele não disse é o que todo mundo sabe: o objetivo das conversações com os EUA, lideradas pelo secretário de Estado, Marco Rubio, é sua destituição. O regime pode ficar, mas Díaz-Canel tem de sair. Chamemos isso de “teoria da extração de Nicolás Maduro” da mudança política na América Latina.
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Mas Cuba não é a Venezuela. O que “funcionou” em Caracas em janeiro, quando as forças dos EUA invadiram o país e raptaram o presidente, não vai funcionar em Havana.
Em Caracas, Trump concordou em manter o regime chavista de mão pesada no poder, traindo a oposição democrática e frustrando esperanças de uma restauração democrática, porque havia algo que ele queria: petróleo. Cuba não tem petróleo. Tem praias, e talvez Trump queira construir Resorts Trump nelas, levando Cuba de volta a seus dias pré-revolucionários, quando mafiosos de Nova Jersey administravam cassinos na ilha.
Contudo, diferentemente do petróleo, ganhar dinheiro com o turismo leva........
