Ernesto Araújo: “Brasil é peça-chave no combate regional ao crime organizado”
Ernesto Araújo, ex-ministro das Relações Exteriores do governo Bolsonaro, analisa nesta entrevista os principais temas da geopolítica internacional, incluindo a relação entre Estados Unidos, Cuba e China, os impactos para a América Latina, o papel do Brasil no cenário global e os rumos da diplomacia brasileira sob o governo Lula. O ex-chanceler também comenta o avanço do crime organizado na região, o posicionamento estratégico de Donald Trump e as disputas de influência entre as grandes potências.
Entrelinhas: Cuba voltou ao centro das atenções após alertar sua população sobre uma possível ofensiva americana. Como o senhor vê o atual cenário entre Estados Unidos e Cuba e quais podem ser os impactos disso para o Brasil?
Ernesto Araújo: Eu acho que o governo americano entende exatamente qual é o papel de Cuba em toda a estrutura de poder que foi montada nas últimas décadas na América Latina, aquilo que muitos chamam de Foro de São Paulo ou por outros nomes semelhantes. Cuba é, de certa forma, o centro gerador desse sistema. Desde a Revolução Cubana, o regime passou a exportar movimentos revolucionários para vários países da região, inclusive o Brasil.
Depois, houve uma associação entre projetos revolucionários, narcotráfico e corrupção estatal, especialmente a partir dos anos 1990. Isso se aprofundou nos anos 2000, quando vários governos da América Latina passaram a incorporar elementos desse modelo. Na minha visão, os Estados Unidos entendem que Cuba funciona como o cérebro desse processo.
Por isso, acredito que a estratégia americana é desmontar gradualmente essa estrutura. Primeiro houve um enfraquecimento da Venezuela, que funcionava como uma espécie de proteção para Cuba. Agora, Cuba aparece mais diretamente no foco. Uma eventual mudança de regime em Cuba teria impacto em toda essa engrenagem política e ideológica da região.
Entrelinhas: Há também análises de que Cuba estaria incentivando instabilidades em outros........
