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O país das oportunidades perdidas

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24.04.2026

Dez anos após o impeachment de Dilma Rousseff, o Brasil encara uma constatação incômoda: um processo que mobilizou a sociedade com a promessa de renovação da política acabou desembocando, ironicamente, na restauração das forças que pretendia superar.

Na época, o afastamento de Dilma foi defendido por amplos setores como remédio constitucional e resposta legítima à deterioração fiscal e à erosão da confiança da população. As pedaladas fiscais foram o argumento jurídico formal, mas o que importava mesmo era o pano de fundo político: a reação a um governo fragilizado e inepto, cercado por denúncias da Operação Lava Jato.

Parecia o momento de virar a página do ciclo do PT no poder – partido que, aos olhos de boa parte da população, transformara o Estado em uma máquina de corrupção e destruição da economia. A punição exemplar de mensaleiros e petroleiros e a expectativa de reformas para tirar o Brasil do atoleiro estatista justificavam a esperança.

Mas o que parecia o fim de uma era se tornou frustração dolorosa. Dez anos depois, Lula está no fim do terceiro mandato e, ao que tudo indica, concorrerá ao quarto. Essa reversão de expectativas não se deveu somente às urnas, mas à aliança, explicitada mais tarde, entre o PT, parte da grande mídia, a parcela ativista do Judiciário e as elites financeiras – em suma, o sistema.

Vamos recapitular. Quando Michel Temer assumiu, o mercado comemorou. A aprovação........

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