O declínio da PGR e a “contribuição” de Gonet para os abusos do STF
Entre as críticas em série disparadas contra o STF (Supremo Tribunal Federal), boa parte se refere a decisões monocráticas tomadas pelos ministros Dias Toffoli, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e mais recentemente Flávio Dino, o último a integrar a Corte, em substituição a Ricardo Lewandowski, que se aposentou em abril de 2023.
Nos últimos anos, os quatro ministros – e também Lewandowski, antes de deixar o cargo – tornaram-se símbolos dos desmandos cometidos pelo Supremo, à revelia dos ritos processuais, dos códigos legais e da Constituição. Da instauração do famigerado inquérito das fake news em 2019 ao caso do Banco Master, passando pela anulação da Lava Jato, pela “descondenação” do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e pelos inquéritos dos “atos antidemocráticos” de 8 de Janeiro e da suposta tentativa de golpe de Estado, não faltam exemplos de “excessos” cometidos pelo grupo.
Além deles, porém, há um figura que não recebe o devido “crédito” pela sua contribuição para o atual quadro de deterioração moral e institucional que assola o país, mas merece um capítulo à parte nessa história toda, pela omissão e mesmo pela cumplicidade que tem demonstrado em relação aos abusos cometidos pelo STF – o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet.
Exceto pelos porta-vozes e influenciadores da direita e da ala mais mobilizada da centro-direita, que não poupam Gonet de apupos nas redes sociais e fora delas, tanto por sua inércia como por suas ações, ele tem passado de forma relativamente incólume por esse processo. Sua atuação controvertida até ganha destaque no noticiário e vira alvo de discursos e comentários inflamados da oposição, mas as críticas ficam muito aquém das que são dirigidas a ministros do STF, apesar de ele também causar estragos colossais à frente da PGR.
É preciso dar a Gonet o que lhe é de direito. Ao transformar a Procuradoria-Geral da República num apêndice dócil do STF, ele não apenas compromete sua biografia pessoal, mas se torna conivente com o arbítrio
Embora tenha assumido o posto há pouco mais de dois anos já com muitas “transgressões” do Supremo em andamento, como o próprio inquérito das fake news, sua atuação até agora já o credencia a entrar para a história como um dos mais fracos ocupantes da PGR na história recente do país.........
